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Política e sociedade. Por Rui Passos Rocha

Da igualdade por decreto

Publicado por Rui Passos Rocha em Abril 13, 2007

Mbeki quer constitucionalizar um sistema de quotas 50-50 na política sul-africana. A ideia do Presidente da África do Sul, cuja concretização prevê para 2010, não constitui um tipo de ruptura como aconteceria em Portugal caso o mesmo sistema tivesse sido aprovado. Isto porque, logo atrás da Suécia, a África do Sul está no topo da lista de países que mais integram as mulheres na política.

Muitos advogam que se trata de uma decisão ridícula por estar a imprimir uma mudança necessária artificialmente. Dizem, até, que as mulheres conquistarão tais valores (o caso sul-africano é excepcional) de uma forma natural, sendo essa a única maneira justa de o fazerem.

Neste aspecto sigo o pensamento - não a decisão - de Thabo Mbeki. Acredito que é essencial um acordar rápido e definitivo. Sou, por isso, a favor das quotas nos partidos políticos, embora reconheça que por si só não resolvem nada, já que no topo da hierarquia continuarão os homens - o que seria resolvido com um sub-sistema de quotas.

Mas os 50 por cento para cada género afligem-me, porque nada me diz que no caso específico de um partido há tantas mulheres competentes e capazes como homens. Daí que as quotas se devam fixar, no caso da mulher, num valor mais baixo. 30 por cento, por exemplo.

12 Respostas para “Da igualdade por decreto”

  1. pedroromano Diz:

    E quem te diz que para cada 7 homens competentes há 3 mulheres competentes?

  2. Rui Rocha Diz:

    A razão.

  3. Rui Rocha Diz:

    Antes que me interpretes mal, digo-te que a maior parte dos licenciados é do sexo feminino (não em Portugal, mas no Mundo). Também as melhores médias são do sexo feminino. Dirás que a competência profissional não é necessariamente consequência do aproveitamento escolar. Não é, de facto, mas não refutarás, com certeza, que em média a ligação existe.

  4. pedroromano Diz:

    Não, não é a razão. É um palpite. E a melhor prova disso mesmo é que não há razão nenhuma para preferires quotas de 30% em vez de quotas de 5, 20, 35 ou 42,84%. Foi um valor atirado para o ar - como, aliás, seria qualquer outro.

    P.S.- Há mais mulheres que homens na Universidade. Com melhores médias. Segundo a tua lógica ‘racionalista’, a decisão a tomar seria instituir quotas superiores a 50% - exactamente para reflectir o diferencial de ‘capacitação’ entre os dois sexos.

  5. Rui Rocha Diz:

    Foi, sim, um valor atirado ao ar. Como “seria qualquer outro”, de facto. Segundo “a tua lógica”, um sistema de quotas atirava as mulheres para uma maioria política e, consequentemente, social. Não é isso que se pretende. Pretende-se uma igualdade relativa. A tua proposta não é racional, porque ninguém pretende fazer com que as quotas reflictam estatísticas.

  6. pedroromano Diz:

    ”Segundo a «tua lógica» um sistema de quotas atirava as mulheres para uma maioria política e, consequentemente, social”.

    Não. Segundo a minha lógica, um sistema de quotas só serviria para baixar a qualidade da intervenção política. Eu quero os melhores. Não me interessa que sejam ou que sejam mulheres. O que não aceito é que não possa ter os melhores porque estes não são mulheres.

    ”Pretende-se uma igualdade relativa”.

    Para quê? E por que não instituir também um sistema de quotas para negros, homossexuais, benfiquistas, homens altos e mulheres com bigode?

    ”A tua proposta não é racional, porque ninguém pretende fazer com que as quotas reflictam estatísticas”.

    Um sistema de quotas só pode reflectir duas coisas: ou estatísticas ou ‘valores atirados para o ar’. Fica à tua escolha.

  7. pedroromano Diz:

    Onde se lê «Não me interessa que sejam ou que sejam mulheres» dever-se-ia ler ««Não me interessa que sejam homens ou que sejam mulheres»

  8. pedroromano Diz:

    No segundo parágrafo leia-se «Não me interessa que sejam homens ou que sejam mulheres»

  9. Rui Rocha Diz:

    Diz-me uma coisa. Menos de 5 por cento (não sei o valor exacto) de mulheres na política portuguesa espelha o nosso potencial no que a’”os melhores” diz respeito?

  10. pedroromano Diz:

    “Menos de 5 por cento de mulheres na política espelha o nosso potencial do que a ‘os melhores’ diz respeito?”

    Não, nem tem de reflectir. Pode ser apenas um indicador de que as mulheres se interessam menos pela política. Que estão mais inclinadas a fazer outras coisas. Como frequentar cursos de comunicação social. Queres criar quotas para rapazes no curso de CS?

    Em todo o caso, a tua pergunta é uma falsa questão. Com quotas de 30, 40 ou 50 por cento não tens garantias de que vás ter as melhores mulheres. Apenas vais ter mais mulheres.

    P.S.- Em todo o caso, estás a desconversar. A pergunta de fundo é: por que razão deveria o Estado preocupar-se em garantir igualdade representativa no Parlamento? Não o faz na indústria panificadora, na agricultura ou no mercado de fundos financeiros. Na verdade, não o faz em lado nenhum.

  11. pedroromano Diz:

    p.s.2- Ah, e não o faz em relação a mais nenhum grupo. Não há quotas para homossexuais, para pretos, para raparigas de período menstrual demorado, para jovens feios.

  12. A inutilidade das quotas « O Eclipse Diz:

    [...] das quotas Jump to Comments Depois de navegar pela blogosfera e me ter deparado com este texto deste amigo, não pude evitar deixar a minha visão sobre este [...]

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